Amor é amor, né. Para o meu coração, Santos, que acaba de completar 466 anos, é a melhor cidade do mundo, e sempre será. Mas ouso contrariar o ditado que diz que “o amor é cego”. Essa não é a melhor cidade sequer do país ou do estado. Não faltam problemas, injustiças, insegurança, políticos no mínimo ineficientes, que só olham para uma parcela da população. E sobram pessoas que, cegas de paixão (essa sim capaz disso), não enxergam nada além do próprio umbigo: vislumbram a orla e acham que o nosso jardim a beira-mar é a sétima maravilha do mundo (olha o bairrismo!), não fazem a menor ideia do quanto o preço da passagem de ônibus está absurdo, ignoram o custo de vida cada vez mais alto, não percebem que os jovens (\o/) não encontram aqui oportunidades de trabalho com perspectiva de futuro na carreira escolhida, etc., etc., e muitos outros etc.
É estúpido não se dar conta do quanto temos que evoluir, melhorar, lutar, abrir a cabeça – esse último principalmente. Mas não consigo desistir de Santos. Pelo menos por enquanto. E não pretendo. Aqui nasci e aqui escolhi viver – o que só é possível por estar a uma hora da capital e graças a um troço que vem crescendo, o home office. Mas espero, sinceramente, não ser expulsa por circunstâncias futuras.
Torço para que as cabeças certas tomem as atitudes certas nos momentos certos. Anseio por novos ares e pensamentos, por novas perspectivas, pela abertura dos santistas para o mundo lá fora. Desejo, de verdade, passar a vida toda aqui (olha o bairrismo de novo, meu povo). Sabe-se lá se isso será possível. Sobra-me esperança – mas até quando?
Terra amada, não desisto de ti. Será que dá pra tu não desistir de mim também?





